A reabilitação urbana no Porto está a crescer exponencialmente e os efeitos sentem-se um pouco por todo o lado, por vezes de forma paradoxal. É o caso das “ilhas”, onde o aumento das rendas que se verifica na cidade não tem sido acompanhado de melhorias nas condições físicas das casas. Este fenómeno decorre de um maior interesse na procura deste tipo de habitações, tanto pelos segmentos sociais com menos recursos como por parte de públicos mais solventes, entre os que se destacam turistas e estudantes.

Arquitectos de família nasceu com uma experiência piloto que visou dar respostas às classes sociais mais carenciadas, de modo a criar habitações com qualidade, com rendas controladas, disponibilizando a famílias com poucos recursos um lugar digno na cidade. O carater inovador do projeto reside na ponte criada entre o ensino e a ação social, propondo a participação de estudantes finalistas da FAUP dentro do programa Casa Reparada Vida Melhorada (CRVM), promovido pela Junta de Freguesia do Bonfim.

Desta iniciativa resultaram três resultados tangíveis. Um: a reabilitação de três habitações na ilha situada na Rua Gomes Leal, nº34 (atualmente em construção). Dois: a qualificação dos trabalhos realizados pelo CRVM e a determinação de princípios construtivos mais pragmáticos, que encurtam as distâncias entre arquitetura e sociedade. Três, a formalização de um contrato que permitirá reproduzir esta experiência em formato workshop durante dois anos letivos.  Como principais resultados, destacamos:

  1. Prova que é possível levar arquitetura a territórios habitados por residentes que não podem aceder aos serviços de um arquiteto.
  2. Permite que os estudantes aprendam sendo úteis, dando uma assistência técnica compatível com as suas competências, com orientação de investigadores e profissionais das instituições envolvidas.
  3. Permite materializar os projetos, melhorando as condições de vida das populações e criando uma nova cultura de intervenção por parte de instituições e futuros profissionais.